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É preciso acertar nas doações. Hidratação e alimentação são prioridadesMais de 16 toneladas de donativos saem todos os dias dos quartéis da Polícia Militar, no Derby, e do Corpo de Bombeiros, na Boa Vista, com destino aos 24 municípios em estado de emergência. Os moradores precisam de água, alimentos de pronto consumo, colchões, lençóis, travesseiros, fronhas, agasalhos e produtos de higiene. Nos dois pontos de maior arrecadação, das 6h da manhã às 18h param carros, motos e pessoas que vão de ônibus fazer entregas para amenizar o sofrimento das famílias que perderam tudo.
Quem quer colaborar precisa estar atento ao estado do material doado. Um levantamento feito em pontos de arrecadação mostrou que quase 70% das roupas doadas chegam em péssimo estado de conservação e precisam ir para o lixo. São peças mofadas, rasgadas e sujas. Em um ponto de coleta, por exemplo, foram doadas calcinhas e cuecas sujas de fezes. Esse tipo de doação, em vez de ajudar, atrapalha o trabalho de quem está fazendo a triagem do material para ser encaminhado às cidades atingidas pela cheia. “As principais necessidades agora são comidas para consumo imediato (enlatados e empacotados como biscoito e bolacha), material de higiene pessoal, colchões e água”, pontuou a conselheira da ONG Novo Jeito, Návila Alencastro.
A artista plástica Anita de Castro, de 52 anos, ficou sensibilizada após ver imagens dos desabrigados e relembrar do que sofreu na enchente de 1975, no Recife. “Eu me vi naquela situação. Neste momento precisamos nos unir. Mobilizei meu condomínio para trazer os mantimentos porque eu já passei por isso. Na época, por pouco não fiquei desabrigada, mas precisei de muita ajuda. Então devemos fazer aquilo que está ao nosso alcance”, conta.
Os caminhões que saem dos quartéis da PM e do Corpo de Bombeiros ainda seguem para Ceasa, onde é feita a triagem e montagem de kits de acordo com o cadastro feito pela Defesa Civil das famílias desabrigadas ou desalojadas. A maior quantidade dos donativos são água, roupas e comidas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Até móveis e eletrodomésticos aparecem.
Mesmo durante a chuva e os transtornos provocados por alagamentos na manhã de ontem, o movimento nos pontos de arrecadação foi intenso. Com uma mala de roupas que não usa mais, o pedreiro José Roberto de Araújo, 54, foi de ônibus de Olinda, onde mora, até o Quartel do Derby para contribuir. “A gente às vezes guarda tanta coisa que não precisa e em um momento como esse é nosso dever ajudar porque poderia ter acontecido com qualquer um de nós”, diz.
Já o supervisor de vendas Erivaldo Antônio da Rocha, 51, foi de moto do município de São Loureço da Mata ao centro do Recife para deixar alguns alimentos para doar. “A chuva não atrapalha porque a gente tem que ajudar. Nesse momento tem muita gente necessitando de coisas básicas que a gente tem sobrando em casa”, afirma.
Os 24 municípios que estão em estado de emergência e precisam de doações são Caruaru, Ipojuca, Joaquim Nabuco, Jurema, Lagoa dos Gatos, Primavera, Quipapá, Sirinhaém, Tamandaré, Xexéu, Belém de Maria, Gameleira, Palmares, Amaraji, Maraial, Ribeirão, Cortês, Barra de Guabiraba, São Benedito do Sul, Rio Formoso, Catende, Água Preta, Jaqueira e Barreiros.
