Moro: esperar trânsito em julgado mantém poderosos impunes
Juiz da Lava Jato afirmou acreditar que o STF vai manter a decisão de cumprimento da pena para condenados em segunda instância
O desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori não gostou da repercussão que teve o seu voto pela anulação dos júris do Carandiru. Em seu perfil no Facebook, escreveu nesta terça-feira que a imprensa foi “tendenciosa” ao abordar o caso e insinuou que boa parte dos veículos de mídia são patrocinados pelo crime organizado. “Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandiru, fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos”, publicou (confira o post inteiro abaixo). Presidente da 4ª Câmara Criminal do TJ-SP, Sartori era o relator do recurso movido pela defesa dos 74 policiais militares, que foram condenados pela morte de 111 presos no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992. Em seu voto, afirmou que não “houve massacre, mas legítima defesa” e ainda pediu a absolvição dos réus, o que não foi acatado pelos outros dois juízes da turma.
Confira abaixo a publicação do juiz:
Quando a Imprensa é Suspeita
Diante da cobertura tendenciosa da imprensa sobre o caso Carandirú [sic], fico me perguntando se não há dinheiro do crime organizado financiando parte dela, assim como boa parte das autodenominadas organizações de direitos humanos. Note-se que o voto (decisão) foi mandado para os órgãos de imprensa e ninguém se dignou a comentá-lo em sua inteireza. Estão lá todas as explicações da anulação e tese da absolvição. O processo todo está retratado no voto. Preferem ouvir uma das partes (a procuradora de justiça oficiante), a qual, obviamente, dá a versão do Ministério Público, repita-se, parte no processo. A Justiça não pode fazer milagre quando lhe é apresentado um trabalho acusatório absolutamente falho. Que pode algum assassino ter agido ali no meio dos policiais, não se nega. Eu sempre ressalvei isso. Mas, qual é ou são eles? Esse o problema. O Ministério Público não individualizou. Preferiu denunciar de “baciada”, como disse um dos julgadores.
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