segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Vaias da torcida brasileira repercutem na imprensa internacional


O comportamento do público brasileiro durante a Olimpíada do Rio está dividindo opiniões. Enquanto alguns atletas elogiam a recepção calorosa, outros estão chocados com a falta de educação e usaram até as redes sociais para reclamar das vaias que têm recebido.

A imprensa internacional também repercutiu o assunto. Um texto da agência Reuters destacou momentos nos primeiros dias de competição em que os fãs locais “estão tratando esportes olímpicos como se estivessem em um Flamengo x Fluminense”.

Além de vaiar rivais, os brasileiros também implicam diretamente com alguns atletas, como Hope Solo, goleira da seleção feminina de futebol dos EUA, que recebeu gritos de “ôôô, zika”. Outra jogadora da seleção americana reclamou de agressões homofóbicas da plateia.

“Fãs estridentes brasileiros se fazem de surdos para o espírito olímpico”, foi o título do texto da Reuters, assinado por dois repórteres no Rio de Janeiro e distribuído para todo o mundo.

“No boxe, judô, esgrima ou até no tênis, os torcedores brasileiros estão tratando muitos esportes olímpicos como se estivessem em um Flamengo x Fluminense, uma rivalidade do Rio onde paixões, além de cusparadas e eventualmente socos, costumam voar alto”, escrevem os repórteres.

A Reuters também citou o jogo de estreia das brasileiras Agatha e Bárbara, atuais campeãs mundiais. Após a derrota, as tchecas Hermannova e Slukova reclamaram das vaias que vinham das arquibancadas, a despeito dos pedidos do narrador oficial por moderação.

“Eu jogo há dez anos e nunca vivi isso. É um tipo de patriotismo. Eu acho que não é nada pessoal contra nós, eles só não sabem o limite entre o que é apropriado para o momento e o que não é mais. Nós também somos seres humanos”, disse Slukova.
Homofobia

O constrangedor grito de “bicha” nos estádios do Brasil tem incomodado também as atletas do futebol feminino. Megan Rapinoe, meio-campista da seleção dos Estados Unidos, reclama do canto homofóbico nas partidas do futebol olímpico da Rio-2016.

“É pessoalmente doloroso”, lamenta a jogadora, que assume publicamente sua homossexualidade. “Creio que seja algo do comportamento coletivo que toma conta das pessoas um pouco”, conta ao jornal Los Angeles Times.

tribunaonline