quarta-feira, 15 de junho de 2016

Único paraibano no Conselho, Wellington Roberto vota contra cassação de Cunha


O deputado federal Wellington Roberto (PR-PB) foi o único paraibano a votar hoje no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por quem chegou a travar uma séria discussão com o colega Zé Geraldo (PT-PA) em dezembro do ano passado, o paraibano se posicionou hoje contra a cassação do presidente afastado da Câmara. O voto de Wellington foi muito breve, mas ele disse que não acreditava que Cunha tivesse mentido ao Conselho e que o julgamento sobre as acusações contra o parlamentar deveriam ser feitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Sabendo que a representação contra o deputado Eduardo Cunha é se ele mentiu ou não mentiu aqui nesse Conselho e sabendo que ele deve ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal e da mesma forma que fiz com o nobre deputado Chico Alencar, eu voto contra o parecer do nobre deputado Marcos Rogério”, disse Wellington Roberto.

A aprovação do pedido de cassação do mandato de Eduardo Cunha se deu por 11 votos a nove, acatando o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) que afirma que Cunha quebrou o decoro ao mentir sobre ter contas no exterior durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras.

Segundo o relator, Cunha é o dono de pelo menos quatro contas nna Suíça: Köpek; Triumph SP, Orion SP e Netherton. Ao pedir a cassação de Cunha, Rogério disse que as contas são verdadeiros “laranjas de luxo”. “Estamos diante do maior escândalo que este colegiado já julgou, não se trata apenas de omissão, de mentira, mas de uma trama para mascarar a evasão de divisas, a fraude fiscal”, disse Rogério. “Estamos diante de uma fraude, de uma simulação de empresas de papel, de laranjas de luxo criadas para esconder a existência de contas no exterior”, acrescentou.

Cunha nega a propriedade das contas, mas admitiu ter o usufruto de ativos geridos por trustes estrangeiros.

O processo de Cunha no Conselho de Ética é considerado o mais longo no colegiado e foi marcado por inúmeras manobras que protelaram a decisão dessa terça-feira. A representação contra Cunha foi entregue pelo PSOL e Rede à Mesa Diretora da Câmara, no dia 13 de outubro de 2015. A Mesa, comandada por Cunha, levou o prazo máximo de 14 dias para realizar a tarefa de numerar a representação e enviá-la ao Conselho de Ética, o que retardou o início dos trabalhos do colegiado. O processo só foi instaurado quase um mês depois da representação, em 3 de novembro de 2015.

Agora o processo contra Cunha precisa ser analisado em plenário. Para que Cunha tenha o mandato cassado, é preciso pelo menos 257 votos, a maioria absoluta dos 513 deputados.


Com Parlamento PB