quarta-feira, 16 de março de 2016

Cássio Cunha Lima diz que situação do País se agrava a cada minuto, após liberação de grampo presidencial O líder do PSDB no Senado registrou que nesta tarde houve uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto contra Lula na Casa Civil


(Brasília-DF, 16/03/2016) Após o juiz federal Sérgio Moro retirar, nesta quarta-feira, 16, o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva houve reação da oposição no Senado. As conversas gravadas pela Polícia Federal incluem diálogo desta quarta-feira, 16, entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima(PB), reproduziu o que Moro afirmou: “Pelo teor dos diálogos degravados, constata-se que o ex-Presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”. Em seguida afirmou que o País está em uma situação que "se agrava a cada minuto".

No diálogo, a presidenta afirma que mandou termo de posse para Lula e disse “só usa em caso de necessidade”.

Na opinião de Cássio Cunha Lima o País tem uma situação que "se agrava a cada minuto". “A crise já não é mais contada por dias e nem por horas, é por expediente e por instantes. Há manifestação agora (nesta tarde de quarta-feira, 16) em frente ao Palácio do Planalto protestando contra a indicação do ex-presidente Lula”, disse ele.

Assuntos públicos

O que foi divulgado não se trata de uma conversa privada e sim sobre assuntos públicos, segundo Cássio Cunha Lima.

“Portanto, não se trata de assuntos pessoais, da vida pessoal da Presidente Dilma e do ex-presidente Lula. O telefonema revela assuntos públicos que foram tratados. E com certeza, no decorrer do desdobramento das notícias, saberemos qual a autoridade, talvez o próprio Juiz Sérgio Moro tenha autorizado a liberação das degravações que foram realizadas pelo sistema de escuta da Polícia Federal, também autorizado pela Justiça”, enfatizou o senador da Paraíba.

Na visão de Cássio Cunha Lima é muito provável que a Justiça Federal tenha autorizado a escuta telefônica do ex-presidente Lula, que estava sob investigação.

“Eu estou fazendo aqui uma suposição com bases muito lógicas. Isso deverá ser tudo devidamente apurado, investigado e revelado para a opinião pública. Mas quero crer, numa suposição lastreada numa lógica simples e de certa forma óbvia, que, sob investigação da Justiça Federal, o sigilo telefônico do ex-Presidente Lula foi quebrado e se estabeleceram, então, as escutas legais, que foram reveladas pela Justiça Federal”, ressaltou o líder do PSDB

Conteúdo gravíssimo

Cassio Cunha Lima entende que se há ilegalidade no grampo, é algo muito grave. E que se há ilegalidade no vazamento da escuta, igualmente é grave.

“E nem por isso deixa de ser grave, gravíssimo o conteúdo do diálogo de uma Presidente da República com um ex-Presidente numa manifestação clara de obstrução da Justiça”, ressaltou Cássio Cunha Lima.

E emendou: “Mas isso não ilide, não inocenta, até pelo contrário, agrava a situação de um diálogo estabelecido pela Presidente da República do Brasil com o ex-Presidente, orientando para que um termo de posse seja usado, se necessário, para escapar do alcance da Justiça brasileira.”

Sem caminho

Para o líder do PSDB, se a presidenta da República “renunciou tacitamente seu mandato ao nomear o ex-presidente Lula como Chefe da Casa Civil, que ela agora faça a renúncia de fato. Não há mais caminho para este Governo diante da desmoralização completa, da desmoralização pública de uma mandatária que é pega em flagrante obstruindo o trabalho e a ação da Justiça. Não resta outro caminho, para o bem do Brasil, para que se salve esta Nação, a não ser a renúncia da Presidente Dilma Rousseff”.

“Não há mais saída. É o fim de tudo isso com a renúncia da Presidência da República diante da gravidade dos fatos que estão sendo revelados pela imprensa brasileira”, concluiu Cássio Cunha Lima.

Confira trecho do diálogo entre Dilma e Lula:
Dilma: Alô

Lula: Alô

Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.

Lula: Fala, querida. Ahn

Dilma: Seguinte, eu tô mandando o 'Bessias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!

Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.

Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.

Dilma: Tá?!

Lula: Tá bom.

Dilma: Tchau.

Lula: Tchau, querida

(Por Maurício Nogueira, para Política Real. Edição: Genésio Araújo Jr.)

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